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Mural eletrônico da disciplina Atelier de Texto II

 

5.9.07

 
MENINOS,

OLÁ. O NOSSO BLOG MUDOU PARA www.atelierdetexto.blogspot.com


Por favor, acessem e leiam os nossos textos. Para a próxima aula: "Cidade clandestina".



27.8.07

 
ATRIBUIÇÕES

FOTOS

Viviane
Luiz ricardo
Monique


NOTAS E TELEFONES ÚTEIS
Priscila
Ricardo
Artur
Aricelma
Raquel
Lívia
Lucas


ATUALIZAÇÃO DA PÁGINA
Fagner
Ivani
Ísis


DIVULGAÇÃO
Viviane
Claudiana
Vanessa
Luiz Ricardo
Talita


REVISÃO
Priscila Rodrigues (priscila.silva.rodrigues@hotmail.com)

 
BAIRROS

BROTAS

Ricardo
Luiz Ricardo
Vanessa


PLATAFORMA
Monique
Artur
Lívia


CASTELO BRANCO
Aricelma
Ivani


SÃO CRISTOVÃO
Priscila Rodrigues
São Cristovão


RIO VERMELHO
Talita
Fagner
Claudiana


COMÉRCIO E BAIXA DOS SAPATEIROS
Lucas
Viviane


LIBERDADE / LAPINHA
Priscila Bastos
Jordan




5.8.07

 
Volta às Aulas - Programação
Evento Palestra de Combate à Poluição Sonora

Data: 08/08

Local: Auditório Zélia Gattai, Nível 4, Prédio I

Horário: 10h


Poluição sonora

O crescimento desordenado dos centros urbanos faz com que carros, caminhões, sirenes, walkmans e alto-falantes, por exemplo, integrem cada vez mais o dia-a-dia das pessoas. Todos esses fatores juntos contribuem, e muito, para o aumento da poluição sonora, que é considerada, pela Legislação Ambiental, uma degradação da qualidade de vida.

É pensando nesse problema, que atinge a maioria dos grandes centros urbanos do mundo, que a Jorge Amado realiza, no dia 8 de agosto, às 10h, no Auditório Zélia Gattai, e no dia 14 de agosto, às 19h, no Auditório do Prédio I, Nível 3, uma campanha educativa que trata de assuntos referentes à poluição sonora, em parceria com a Prefeitura Municipal do Salvador.


O objetivo do evento, realizado através da Superintendência do Meio Ambiente (SMA) e da Superintendência de
Controle e Ordenamento do Solo do Município (SUCOM), é discutir questões referentes à produção de ruídos de forma exagerada e que tem conseqüências graves para a saúde da população.



13.5.07

 
Lançamento do livro Como é que chama o nome disso, de Arnaldo Antunes, nas Faculdades Jorge Amado

Acontecerá no dia 15 de maio, a partir das 18h30, às 22h, nas Faculdades Jorge Amado, na avenida Luiz Viana Filho, n.° 6.775, Paralela, no auditório Zélia Gatai, o lançamento do livro Como é que chama o nome disso, seguido de bate-papo sobre a arte Verbi-Voco-Visual, na expressão do poeta concretista Augusto de Campos, realizada pelo poeta. O método de Arnaldo Antunes é multidisciplinar envolvendo grafismo, artes-plásticas, poesia e música. Esta discussão sobre o fim dos limites entre as diferentes linguagens artísticas ajuda os comunicadores sociais a refletirem sobre os suportes multimidiáticos.
Cantor poeta e músico, ex-titã, parceiro de Carlinhos Brown e Marisa Monte no projeto Tribalistas, Arnaldo Antunes está vindo lançar seu livro de poemas Como é que chama o nome disso (Publifolha,2006) nas FJA. Esse é o seu mais recente trabalho. Trata-se de uma antologia de poemas, caligrafias, letras de música e textos críticos, sob a edição do Publifolha, editora da Folha de S. Paulo, publicado no final de 2006. Arnaldo Antunes fará uma seção de autógrafos, em primeiro lugar, responderá a perguntas dos alunos e fará uma breve leitura de poemas da obra no auditório Zélia Gattai, das FJA, e depois responderá a uma entrevista coletiva para os estudantes-jornalistas e para a mídia baiana que estiver presente e assim o desejar. O evento será mediado pela poeta, jornalista e professora Mônica Rodrigues da Costa e contará ainda com a presença de alguns poetas convidados informalmente, como o poeta multimídia Walter Silveira (a confirmar).
O bate-papo, porque tratará de assuntos multidisciplinares, de intercâmbio entre as várias linguagens artísticas que compõem a obra de Antunes, reflete na comunicação temas como os multimeios, a poesia visual, a proesia, a estrutura lingüística e semiótica, a escrita ideogramática, novos vocábulos, a poesia digital, a comunicação via web, o efeito da abertura do pólo de emissão na internet, entre outros.
Arnaldo Antunes é autor de doze livros, alguns destes incluindo CD e vídeo. Participou do grupo de rock Titãs (1982) e tem nove discos lançados. Entre os CD¿s em carreira solo, o cantor lançou Ninguém, Paradeiro, Saiba (BMG, 1995, 2001 e 2004) e o mais recente, Qualquer (Rosa Celeste / Biscoito Fino, 2006).

Evento
Lançamento do livro Como É que Chama o Nome Disso - Publifolha, 2006.
Capa e projeto gráfico de Arnaldo Antunes. Imagem da capa: Instalação de Arnaldo Antunes na exposição Arte/Cidade - Cidade sem janelas, 1994.
Edição de Arthur Nestrovski


Programação do evento
18h30
Lançamento com seção de autógrafos com o poeta e compositor Arnaldo Antunes.

19h30
Bate-papo sobre a antologia Como é que chama o nome disso, com leitura de letras, poemas, ensaios e entrevistas do poeta-músico, mediado pela poeta Mônica Rodrigues da Costa.

21h
Entrevista coletiva do poeta para os alunos e a imprensa eventualmente presente.


Informações:

Efraim Neto ¿ (71) 8895.5010
Lucas Andrade ¿ (71) 9115.0608




6.5.07

 


JORNAL INFORMAR


PÁGINA 1 - CAPA
chamada principal - ECONOMIA - pescadores - página 6
chamadas secundárias
ECONOMIA - a decidir
CULTURA - a decidir
CIDADE - a decidir




PÁGINA 2- OPINIÃO
Carta ao leitor
Artigo ou crônica
Expediente




PÁGINA 3 - CIDADE
Iluminação - caio - 2700 caracteres
Creche - milena - 2000 caracteres


PÁGINA 4 - CIDADE
Pontos de ônibus - Verena - 2700 caracteres
Massoterapia - Laís - 2000 caracteres


PÁGINA 5- CIDADE
MSTS - Thiago - 2700
Afogamento - Luiza Priscila - 2000




PÁGINA 6 - ECONOMIA
Pescadores - Lízia - 4700 caracteres


PÁGINA 7 - ECONOMIA
Baianas - Jamile - 2700
Queijinho - Juliana - 2000


PÁGINA 8 - ECONOMIA
Aeroclube - Renata - 2700
Aluguel cadeiras - Milena - 2000


PÁGINA 9 - ECONOMIA
Mercadinhos - vinícius - 2700
Pequenos shoppings - Liomar - 2000




PÁGINA 10 - CULTURA
Espaço verde - Lízia - 2700
Teatro Sesi - Marília - 2000


PÁGINA 11 - CULTURA
Capoeira - Vinícius e Lionara - 2700
Notas:
Malê - Liomar - 500 caracteres
Artesão - Marian - 500 caracteres
Ong Paciência - Juliana - 500 caracteres
MAM - Mayara - 500 caracteres


PÁGINA 12 - CULTURA
Pimentinha - Renata - 2700
Restaurante do Mercado - Luiza - 2000





6.3.07

 
BIBLIOGRAFIA

LAGE, Nilson. ¿A notícia hoje e amanhã¿. In: . Estrutura da Notícia. São Paulo, Ática, 2ª ed., 1998, p. 45-61.

RAMOS, Cleidiana. ¿Água grande¿. Jornal A tarde.

LAGE, Nilson. ¿Repórteres e pesquisa¿. In: . A reportagem: teoria e técnica de pesquisa jornalística.

GARCIA, Othon M. ¿A experiência e a pesquisa¿. In: . Comunicação em prosa moderna. RJ: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1983, p. 329-340.

RIBEIRO, Perla. Cidade Clandestina. Jornal Correio da Bahia. 11/02/07

REIS, Pablo. Gafieira do viaduto. Jornal Correio da Bahia. ver: (www.atelier.blogger.com.br)

JACOB, Adriana. Cuíca de Santo Amaro - o clamor do povo. Coleção Memórias da Bahia.

VILAS BOAS, Sérgio. ¿Feições de um perfil jornalístico¿. IN: . Perfis e como escrevê-los. São Paulo: Summus, 2003, p.13-33.

COIMBRA, Oswaldo. ¿Reportagem descritiva¿. In: . O texto da reportagem impressa; um curso sobre sua estrutura. São Paulo: Ática, 1993, p. 86-103.

MEDINA, Cremilda. Capítulos 3, 4, 5 e 6. In: . Entrevista, um diálogo possível. São Paulo: Ática, 1995, p.14-38.

SILVEIRA, Joel. A milésima segunda noite da Avenida Paulista. SP: Companhia das Letras, 2003.

LIMA, Edvaldo Pereira. ¿Jornalismo e literatura, fronteiras interpermeáveis¿ In: . Páginas ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. Campinas, SP: Ed. da UNICAMP, 1993, p. 135-153.



LIVROS DO SEMESTRE


TURMA DE SEGUNDA

Hiroshima
Chico Mendes Crime e castigo
Rota 66
Todos os homens do presidente
A sangue frio



TURMA DE QUARTA

Notícias de um sequestro
Fábrica de mentiras
O segredo de Joe Gould
Chico Mendes Crime e castigo
Na pior entre Paris e Londres




EQUIPE DO JORNAL


CHEFIA REPORTAGEM - CONTROLE DAS REPORTAGENS EDITADAS / TAMANHO E FORMATO / ENVIAR DIAGRAMAÇÃO

Guilherme / Caroline / Lana / Clara

Lízia / Vinícius / Milena / Jamile



DIAGRAMAÇÃO ¿ PROJETO GRÁFICO / LOGOMARCA / TAMANHO TEXTOS / DIAGRAMAR

Diogo / Ana Letícia / Mariana / Amanda / Fernanda / Camila

Thiago / Renata / Mayara / Priscila / Marina / Caio



FOTOS ¿ CONTROLE FOTOS POR MATÉRIA AUTORIZADAS / CHECAR FORMATO TAMANHO / ENVIAR DIAGRAMAÇÃO

Esdras / Euro / Fabíola

Verena / Luiza Priscila / Marília



FINANCEIRO ¿ CHECAR CUSTO/ ONDE IMPRIMIR / VIABILIZAR APOIOS / RECOLHER RECURSOS

Cristiana / Adriana / Débora / Rodrigo

Liomar / Milena


DISTRIBUIÇÃO E DIVULGAÇÃO ¿ MONTAR PLANO DE DISTRIBUIÇÃO E FAZER MATERIAL DE DIVULGAÇÃO

Lise / Cleber / Carla

Lionara / Luiza



1.3.07

 
JORNAL InforMAR - EDIÇÃO 1


CULTURA

Caio- Museu do Farol
Verena- Circo Picolino
Marília- Teatro Sesi
Lais- Espaço Cravo
Mayara- MAM
Luiza- Artesã de jornal
Lionara- Centro Cultural de Capoeira São Salvador



CIDADE/ESPORTE

João- MSTS- Orla Atlântica
Milena- Creche Bel Machado- Boca do Rio
Thiago- MSTS- Cidade Baixa
Priscila- Trabalhos Sociais ¿ Parque Pituaçu
Marina- História da Pituba
Jamile- Ginástica no Jardim dos Namorados


ECONOMIA

Liomar- Pequenos Shoppings- Boca do Rio
Lízia-
Vinícius-
Juliana-
Renata- Decadência do Aeroclube
Luiza-




JORNAL DO SUBÚRBIO - EDIÇÃO 1


Economia


Verena: Feira de Periperi
Amanda: Comércio Doméstico
Cristiana: Transporte Salvador/ Ilha de Maré
Clara: Comércio de Sucata
Guilherme: Comércio da rua Alto Coutos (Final de Linha)
Ana Letícia: Comércio Informal Periperi


Cidade/Esporte

Ana Tereza: Centro Balé Coutos
*Esdras: (?)
Rodrigo: Futebol Profissional
Fabíola: Transporte Ferroviário
Adriana: Postos de Saúde
Diogo: Moradia (?)
Mariana:


Cultura

Carla: Teatro popular
Camila: Artistas no trem
Lize: Moda feminina
Fernanda: Balé
Lana: Rap
Euro: Rádio Comunitária



3.10.06

 
Folha de São Paulo, 2004

Alba Zaluar
antropóloga
estuda há mais de 20 anos a violência urbana
coordenadora do Núcleo de Pesquisa das Violências (Nupevi) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)
A pesquisa dirigida por ela na Cidade de Deus, nos anos 80, deu origem ao seu livro "A Máquina e a Revolta". Paulo Lins, autor do livro "Cidade de Deus" foi integrante de sua equipe de pesquisadores.



Folha - A violência nas regiões metropolitanas brasileiras aumentaram muito nos últimos anos. Por que, apesar disso, a senhora diz que temos motivos para otimismo?
Alba Zaluar - Eu diria que temos motivos para otimismo porque não somos um país de guerreiros. Nunca nos envolvemos, por exemplo, em guerras mundiais. Nossos heróis são jogadores de futebol, sambistas e artistas. Somos um país que valoriza muito o espetáculo e que reconhece que o talento pode aparecer em qualquer classe social. Nos Estados Unidos, o [diretor Martin] Scorsese nos mostra [no filme "Gangues de Nova York"] que as vizinhanças se organizaram, desde o século 19, em gangues.
No Brasil, as vizinhanças se organizaram em blocos de Carnaval e escolas de samba. Isso é uma baita diferença. Até hoje, os chefes do tráfico no Brasil ganham apelidos no diminutivo, como Fernandinho ou Escadinha. Nos Estados Unidos, os apelidos são de animais ferozes ou nomes de guerreiros africanos. Esse é um indicativo de que nosso etos guerreiro não é tão forte quanto o de lá. Isso mostra que é possível superá-lo com mais facilidade.


Folha - Então por que estamos tão violentos?
Zaluar - É preciso ter políticas públicas para superar isso. Houve no Brasil um fraquejo institucional do Estado. É preciso mudar nossa polícia e o Judiciário para que a impunidade diminua, especialmente nas classes mais privilegiadas. É preciso, por exemplo, achar uma maneira de valorizar o profissionalismo na polícia. Hoje, os governos acabam indicando os delegados e chefes de batalhão por critérios políticos. Os Estados têm que acabar com o bairrismo e trabalhar em conjunto.


Folha - Em que período a senhora identifica o início desse fraquejo do Estado?
Zaluar - No que diz respeito à polícia, isso é claro durante a ditadura militar [1964-1985]. Nesse período, tudo foi permitido à polícia. A imprensa estava amordaçada e ninguém podia denunciar abusos. A maneira de combater a corrupção é criar mecanismos internos de controle e não amordaçar ninguém. É preciso ter mecanismos por meio dos quais as pessoas atingidas pela violência policial possam fazer reclamações sem temer pela própria vida.


Folha - Pobreza e desigualdade não são também elementos fundamentais para explicar a violência?
Zaluar - A idéia do nosso projeto no Nupevi é ultrapassar a argumentação simplista do determinismo econômico que faz com que se pense que toda a questão da violência e da criminalidade possa ser explicada apenas pela pobreza e pela desigualdade. Trabalhamos com a idéia de um modelo de complexidade. Levamos em conta vários elementos que se arranjam de uma determinada forma que acabam provocando essa combustão. Estamos falando apenas que a pobreza, só, não explica o fenômeno.
É bom lembrar que esse é um fenômeno que aparece na década de 70. Não é verdade dizer que isso surgiu somente agora.
Ao determinar a pobreza como causa da violência, estamos dando um peso que ela não tem e facilitando a criminalização dos pobres, porque leva à conclusão de que são eles os criminosos. Isso justificaria o fato de termos 90% de pobres entre nossos prisioneiros, quando sabemos que há juízes, banqueiros, comerciantes, deputados, senadores e governantes envolvidos no mundo da atividade criminosa.


Folha - Mas a existência de um contingente grande de jovens pobres que convivem diariamente com a desigualdade não é um fator que facilita a entrada deles no tráfico de drogas?
Zaluar - Não estamos dizendo que a pobreza e a desigualdade não têm nada a ver com o problema. Há várias pesquisas que mostram que os Estados mais pobres do Brasil são também os menos violentos. Londrina é uma cidade riquíssima para os padrões brasileiros, mas é violenta. Campinas também. Nos Estados, percebe-se também que os municípios mais pobres são menos violentos.
Uma parte da explicação dessa questão está no fato de as regiões metropolitanas atraírem mais imigrantes. Essa concentração de muita gente nessas regiões sem emprego e sem alternativa facilita a atração para as atividades do tráfico. Mas não são todos os que são atraídos, e é aí que está o mistério. Se a desigualdade explicasse a violência, todos os jovens pobres entrariam para o tráfico.
Fizemos um levantamento na Cidade de Deus e concluímos que apenas 2% da população de lá está envolvida com o crime. Como explicar que a maioria das pessoas não se envolveu com o tráfico? Certamente tem algo a mais aí.


Folha - E o que seria esse algo a mais?
Zaluar - Parece-me o fato de que alguns se deixam seduzir por uma imagem da masculinidade que está associada ao uso da arma de fogo e à disposição de matar, ter dinheiro no bolso e se exibir para algumas mulheres. A partir de entrevistas que minha equipe fez com jovens traficantes, definimos isso como um etos da hipermasculinidade.
Esse é um fenômeno que está sendo muito estudado nos EUA e na Europa e diz respeito a homens que têm alguma dificuldade de construir uma imagem positiva de si mesmos. Precisam da admiração ou do respeito por meio do medo imposto aos outros. Por isso se exibem com armas e demonstram crueldade diante do inimigo.


Folha - Como combater a construção dessa imagem?
Zaluar - É preciso fazer políticas públicas mais eficientes e focadas nos jovens que estão nessa fase difícil da adolescência, para que eles possam construir uma imagem civilizada de homem, que tenha orgulho de conter a sua violência e respeitar o adversário, competindo segundo as regras estabelecidas, como acontece nas competições esportivas e na disputa dos desfiles de escolas de samba.
No último capítulo do meu novo livro, eu relato a experiência que tentei desenvolver em escolas públicas do Rio. Conseguimos ter resultados positivos ao desenvolver o projeto Mediadores da Paz, que tentava mostrar aos jovens a importância de negociar os conflitos por meio das palavras e como isso podia trazer para eles respeito próprio e das outras pessoas. Nesse projeto, incentivávamos jovens a mediar conflitos entre colegas.


Folha - A senhora faz duras críticas ao livro e ao filme "Cidade de Deus", mas eles não retratam bem essa questão da construção do etos da hipermasculinidade?
Zaluar - O Zé Pequeno [um dos principais personagens do filme] seria um exemplo dessa hipermasculinidade, mas, na minha opinião, o problema de "Cidade de Deus" é muito mais sério. Em primeiro lugar, o Paulo Lins fez o livro sem consultar as pessoas envolvidas. A pesquisa acadêmica é uma coisa séria. Eu emprestei a ele toda a pesquisa que fizemos na Cidade de Deus. Esse material tinha o depoimento do único sobrevivente da guerra [entre traficantes] retratada no filme, que é o Ailton Batata, que aparece no romance com o nome de Sandro Cenoura.
Além disso, há uma série de impropriedades no romance. Nunca existiu, por exemplo, aquele bando de meninos ainda com dente de leite dando tiro nas pessoas. Isso é mentira, e é muito sério porque cria uma imagem sobre as crianças que vivem nesses locais que não é verdadeira. A própria história do Zé Pequeno é contada como se ele já tivesse nascido ruim. É uma volta à teoria do criminoso nato, que, do ponto de vista da criminologia, já está completamente superada.


Folha - Como a senhora vê a forma como a imprensa tem tratado a questão da violência urbana?
Zaluar - Estou menos preocupada hoje do que já estive. Já não vejo mais tantas fotos de traficantes e de matadores colocadas nas primeiras páginas dos jornais com destaque enorme. Isso dá fama a essas pessoas e é mais uma atração para os jovens em busca dessa fama. Os traficantes já são conhecidos pela sua dureza, mas, quando a foto deles aparece nos jornais, isso contribui mais ainda para essa fama. Infelizmente, os jornais ainda continuam dando nomes, o que contribui para a permanência do círculo vicioso de atração dos jovens.


Folha - A senhora é uma das especialistas mais procuradas pelos jornalistas para comentar casos de violência. Os jornais não acabam falando sempre com os mesmos especialistas?
Zaluar - Recentemente, fui procurada para comentar a rebelião em Benfica [que resultou na morte de 30 detentos e de um agente penitenciário na casa de custódia da zona norte do Rio, em maio]. Disse ao jornalista que não sabia nada sobre esse assunto e indiquei outros especialistas. Quase sempre aparecem as mesmas pessoas nos jornais. Em alguns casos, é gente que entende muito pouco do assunto e diz qualquer coisa só para aparecer. Isso acaba alimentando essa "Darlene" que existe dentro dos intelectuais. Tem que haver seriedade no tratamento dessa questão.



6.9.06

 
PAUTAS - 2

NOTURNO

Cidade


Matheus - sitema ferroviário
Lívio - contatos irregulares/transporte
Mayana - grupos de idosos
Ari - Âncora do marujo
Daiane - reciclagem de papel
dilza- morar em Arembepe
Marcel - bares irregulares


Cultura

Victor - Nova literatura baiana
Murilo - Exu nas artes


Esporte

Alex - Vôlei de praia
Leonardo - Boxe feminino
Aritta - Vale tudo
Uilton - Capoeira nas escolas
Rodrigo - Pôquer


MATUTINO


Cultura



Cidade



Saúde



8.8.06

 
PAUTAS - 1

NOTURNO


Cultura

Lívio: Livros de bancas
Dilza: Casa da criança / Camaçari
Daiane: Pintores de rua no pelourinho
Mayanna: Ensaio aberto no TCA
Mateus: Música Gospel


Esporte

Murilo: Remo em Itapagipe
Alana: Atletas de fim de semana
Ricardo: Corrida
Vitor: Surf


Cidade

Alex: Saneamento básico de Salvador
Leonardo: Proibição da propaganda eleitoral
Ramáiana: Big brother Pituba
Uilton: Transporte em Plataforma


MATUTINO


CULTURA

Andréia - formação de atores / gratuitos
Aisele ¿ Bandas em início de carreira
Alexandre ¿
Lílian ¿ Balé de Coutos
Michele ¿ Cultura negra está na moda ?
Marilia ¿ Coral Barroco na Bahia
Patrícia ¿ Cinema do Terceiro Mundo

CIDADE
João Paulo ¿ Guardadores de carro
Carolina ¿ Vendedores de cd¿s e dvd¿s piratas
Elida ¿ Baiano de acarajé
Bianca ¿ Vida de feirante
Paloma - Emprego temporário
Pedro ¿ Barco do dique
Juliana ¿ Baleiros

SAÚDE
Renata ¿ Tratamento Odontológico gratuito
Florence ¿ Emergências de Postos de Saúde
Vanessa ¿
Daiane -
Verena ¿
Rafael ¿ Internados no Manicômio



13.3.06

 
Sexta-feira, 4/04/03

Agora são extamente 19h25. Acabo de chegar em casa, depois de quase um dia inteiro às voltas com uma brutal agressão perpetrada por prepostos armados da Igreja Universal do Reino de Deus ("catedral da fé", no Iguatemi) contra Jônathas Araújo, aluno do 3º semestre de Produção Cultural da Facom/UFBA.Jônathas é colaborador de fotografia da Província da Bahia.
Os fatos são os seguintes:
Responsável pela disciplina optativa Jornalismo Investigativo, passei como tarefa aos alunos a produção de matérias que perseguissem o propósito investigativo. A maioria das matérias será publicada na próxima edição da Província da Bahia, prevista para circular a partir de 10/04/03. A pauta de uma das alunas foi frequentar um culto da Iurd e descrever o que viu e ouviu. Editei a matéria e marquei com Jônathas para, nesta manhã, fotografar a fachada (note bem: apenas a fachada) da "catedral da fé". Por
saber dos problemas que a Iurd tem criado para o trabalho de jornalistas independentes, evitei registrar as instalações internas do prédio.
Jônathas foi recomendado a fotografar a partir do viaduto Raul Seixas e da avenida que passa em frente aos degraus de entrada do templo. Estacionei o carro nessa avenida e, enquanto Jônathas fotografava, por telefone orientava alunos da disciplina Jornalismo Investigativo para as providências finais do fechamento da edição da Província. Quando julguei ser bastante o tempo de espera, verifiquei e não localizei mais Jônathas. Preocupado, me dirigi à área interna da "catedral", entrei no salão do prédio (onde acontecia um culto qualquer) e também lá não vi o aluno/colaborador. Saí à busca dele e, nesse instante, avistei um grupo de 4 ou 5 homens, não identificados mas de rádio e armas, levando Jônathas agressivamente, aos empurrões, para o subsolo da "catedral da fé" através de uma via lateral. Corri para alcançá-los e procurei identificar-me como jornalista, professor da UFBA e responsável pela ação do aluno. Os "seguranças" aos berros levavam o colaborador, já sem sua máquina, que tinha sido tomada à força, e diante de minha insistência em acompanhá-los até uma área do subsolo onde se encontrava uma mesa e um pátio de automóveis, o sujeito que comandava a ação ordenou - também aos berros - que eu saísse do local, segundo ele, sob pena de "a coisa engrossar ainda mais", fazendo gestos e ameaças.
Retirei-me do local, telefonando pari pasu para um advogado, para a Central da Polícia Militar e para outros alunos participantes do fechamento da edição, para que contatassem o jornal A Tarde e a TV Bandeirantes. Momentos depois, Jônathas foi liberado, assim como sua máquina. Mas sem o filme, que foi apreendido pelos sujeitos. O chefe deles veio a mim, ainda com o mesmo tom de ameaça, mas eu lhe disse que nada tinha a conversar com ele, que deveria falar a partir de então com a pilícia que estava para chegar. Ele então respondeu com arrogância que tanto fazia, informando que também era policial - depois retornando ao subsolo.
Duas viaturas da PM chegaram, um tenente da PM se inteirou da nossa versão, veio uma mulher de dentro do templo atendê-lo e aos outros soldados (trocando beijinhos e saudações de "como vai" com alguns deles/delas), foram para um canto conversar, o tenente retornou a nós dizendo que nada poderia fazer para que fosse devolvido nosso filme, que os sujeitos que participaram da agressão já tinham saído (como lhe informou a enviada da Iurd) e é isso aí. Orientado por meu advogado, eu e Jônathas fomos à delegacias, registrar boletim de ocorrência. O delegado da delegacia afeita à "catedral da fé" disse-nos que via o episódio como "um caso grave" de sequestro, cárcere privado e subtração de propriedade alheia.
Eu e Jônathas retornaremos à mesma delegacia ainda na noite desta sexta-feira, às 22 horas, para fazer um depoimento circunstanciado, já que o delegado resolveu instaurar inquérito para apurar os fatos.
A produtora da TV Band ligou; o jornal A Tarde mandou equipe de reportagem; a matéria da aluna sobre a Iurd vai sair na Província na próxima semana. Com fotos de Jônathas, uma vez que compramos imediatamente novo filme e fotografamos enquanto a PM se fez presente.


fernando conceição



12.2.06

 
Ele tocou o presidente

Regina Bochicchio

Vinte quilômetros de uma estrada de terra batida que atravessa mandacarus, gado magro e plantações de sisal separam o pequeno povoado de Ipoeirinha do centro de Conceição do Coité. Caatinga, sol de arrebentar. Há pouco menos de um mês choveu por ali, depois de quase nove meses sem cair uma gota d'água do céu. O povo chegou a soltar foguete. Nesse lugar, incrustado no sertão baiano, nasceu e mora o menino Cosme Júnior, 11 anos, estudante, ex-trabalhador nos campos de sisal e o responsável por ter dito "poucas e boas" ao presidente Lula, dia 13 último, em Brasília, quando este recebeu a Caravana Nacional pela Erradicação do Trabalho Infantil - uma comissão de crianças e adolescentes, ex-trabalhadores rurais ou urbanos.
Disse o menino nordestino, no Palácio do Planalto: "Se lembra quando o senhor era pequeno, trabalhador, com fome, não ia para a escola? Naquela época, ninguém tomou atitude, é hora de mudar essa situação". Aproveitou e pediu aumento de recursos para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti, criado em 1996, na era FHC), cuja bolsa mensal é de parcos R$ 25 para cada criança que, se antes trabalhava, agora deve estar na escola. Cosme Júnior foi aplaudido em pé por reis, plebeus e até rendeu manchetes em grandes jornais. Defronte da sua modesta casa em Ipoeirinha, com o sol no juízo e dezenas de moscas ao redor, o garoto lembra da trama:
"Logo que eu soube que ia ver o presidente, fui no pensamento de falar pra ele melhorar o Peti", conta. Calou sobre o plano, não disse palavra. Quando a "mulher de lá" (da solenidade) disse que ele entregaria um catavento a Lula, depois de ler a carta elaborada pelas crianças do Peti, não pensou duas vezes, embora o aviso fosse claro: não poderia demorar, que fizesse o combinado e saísse; não havia tempo. Entregou o catavento, leu a carta e, para surpresa de um disciplinado cerimonial, o garoto largou uma canção sobre as crianças, emendando com o "corretivo" verbal no presidente. De Brasília, lembra do café da manhã do hotel; também da viagem de avião. Gostou de Lula? "Ele é legal, é gentil, não é que nem (sic) esses rico que passa e não fala com ninguém".
Se pudesse, Cosme pediria de Natal um cavalo branco, como Russinho, seu cavalinho de estimação, dado pelo avô e por ele também tirado, de surpresa, para venda. Fez uma canção de lamento lembrando o fato, dessas que parecem ladainhas sertanejas. "Eu corria tanto com ele...", lastima. Mas Cosme não é desses de chorar. "Eu tenho três sonhos: o primeiro é que não acabe o Peti; o outro é ter uma rocinha para criar meus bichos. E o terceiro é que eu vá adiante e nunca fique com preguiça de estudar". Quando crescer, Cosme quer ser veterinário.
Ele começou a trabalhar com 5 anos, carregando o sisal para a secagem. Acordava às 5 horas, trabalhava até o almoço, ia para a escola e voltava a trabalhar. "Era ruim porque não tinha tempo de brincar com os amigos", lembra. Além de ficar cansado ("doía as mãos") o corpo "encaroçava" e avermelhava por causa do contato com o sisal.
QUEBRA DE CICLO - Agora ele está livre disso. "Mudou muita coisa, agora só brinco e estudo", disse. Para receber os R$ 25, a criança não pode trabalhar. Caso contrário, os pais respondem em juízo. O dinheiro não é muito, certamente o sisal rendia mais do que a quantia garantida pelo governo - um dos "problemas" do programa. Mas, ao que tudo indica, Cosme quebrou o ciclo hereditário de trabalho infantil. Sua mãe foi capacitada por intermédio do programa e ganha um salário mínimo - no contexto, um avanço. O pai, Cosme de Oliveira, 38 anos, trabalha com sisal.
Dona Maria Leide de Oliveira, 50 anos, avó do garoto, também natural de Ipoeirinha - de onde só saiu uma única vez, para visitar um de seus 11 filhos, em São Paulo, num ônibus comercial da Gontijo - começou "arrastando enxada na roça", como diz, aos 8 anos. De lá até bem pouco tempo, só fez trabalhar e parir. O esposo, Luís Pereira de Oliveira, também da região, tem história semelhante e, "no motor do sisal", como diz o povo de lá, perdeu um dos braços (é uma máquina que espreme a folha da planta e só deixa o "bagaço", com o qual, depois de seco e tratado se fabricam cordas, bolsas e outros objetos). "Fiz o ABC com a professora Joanita, mas só sei escrever o meu nome", conta a anciã.
O destino da filha não foi muito diferente. Maricleide Oliveira, 30 anos, quando completou 7 anos, passou a "ajudar painho" com o sisal. "Acordava de madrugadinha, ia trabalhar. Depois escola, trabalho de novo. A gente (ela e outras crianças) brincava de bonequinha feita com palha de sisal na plantação". Foi assim até os 13 anos, quando foi picada por uma cobra "corre-campo" e quase morre. Ficou cuidando da casa. Terminou a 8ª série, casou cedo: tem uma filha de 15 anos, Maise, irmã de Cosme, outra que trabalhava até poucos anos. É por isso tudo que nunca Maricleide vai esquecer o dia em que varria a igreja do povoado quando a vizinha gritou: "Corre, vai ver seu filho na televisão!". Correu aos tropeços e parou em frente à TV, emocionada, com lágrimas nos olhos. Chorou. "Fiquei muito orgulhosa. Naquele momento, eu me senti uma pessoa rica". O conteúdo do que disse o menino no Palácio do Planalto ninguém da família sabe dizer. Mas Cosme, menino sertanejo e pobre, falou com o presidente.



22.2.05

 
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9.8.04

 
Duro ofício

Lavadeiras de Salvador enfrentam as dificuldades da vida de sol a sol no tanque de roupa
Andreia Santana


No Abaeté, onde suas ancestrais fizeram história, as lavadeiras de agora ainda estendem os lençóis para quarar

A lavadeira

A lavadeira no tanque

Bate roupa em pedra bem.

Canta porque canta e é triste

Porque canta porque existe,

Por isso é alegre também.

Ora se eu alguma vez

Pudesse fazer nos versos

O que a essa roupa ela fez,

Eu perderia talvez

Os meus destinos diversos.

Há uma grande unidade

Em, sem pensar na razão,

E até cantando a metade,

Bater roupa em realidade...

Quem me lava o coração?


(Fernando Pessoa)



Se o poeta Fernando Pessoa tivesse vivido na Bahia, na época em que dona Agnalda da Paixão, 68 anos, lavava de ganho no Abaeté, a imagem do poema acima certamente seria outra. Ao invés das velhas portuguesas batendo roupa no tanque, ele descreveria o imenso areal deserto do Abaeté. Ali, as lavadeiras começaram a abrir caminho no meio do mato para lavar roupa à beira da misteriosa lagoa negra. Caberiam no poema as dezenas de mulheres em fila indiana, trouxa equilibrada no alto da cabeça, filhos pequenos agarrados às saias. Naquele tempo de dona Agnalda, havia apenas a fina trilha de areia branca na vegetação, alargada dia após dia pelos pés das lavadeiras. Debaixo do sol escaldante e do brilho intenso refletido pelo areal, elas lavavam acocoradas na beira d''água e cantavam para afastar as tristezas da vida, até quando o astro inclemente se recolhia. Nessa hora, cobertas pela escuridão da noite ou iluminadas pelos raios da lua cheia, viviam seu único momento de recreio em todo aquele dia estafante: tomavam banho na lagoa povoada de lendas sobre iaras e areias movediças que aprisionavam os desavisados no leito do grande lago. "Lavadeira e filho de lavadeira nunca se afogou nessa lagoa. A gente a conhecia como a palma da mão. Os meninos aprendiam a nadar aqui e quando a bacia voava para dentro d´água, era ''um tal de mulher'' se atirando para buscar de volta", emenda a experiente dona Agnalda.

Nascida e criada nas dunas do Abaeté, dona Agnalda da Paixão recorda que as lavadeiras acordavam de madrugada para dar conta da infinidade de trouxas de roupa. "Vinha gente de todo canto da cidade. Naquele tempo não tinha tanta facilidade com água encanada e a lagoa era o ganha-pão de muitas famílias", conta. À noite, quando chegavam em casa, era hora de aquecer o ferro à carvão e engomar uma pilha de lençóis, colchas, calças, camisas, vestidos... "Tinha de engomar a roupa todinha, o que dava um trabalho horroroso. Ficava até quase de madrugada assoprando o ferro para o carvão queimar e engomando, porque no dia seguinte tinha de sair entregando tudo na casa das patroas", conta. Usado no tempo em que energia elétrica em Salvador era luxo de poucos, o ferro a carvão voltou a ser adotado pelas lavadeiras que vivem a realidade do racionamento de energia elétrica.

Há oito anos dona Agnalda não lava mais para fora porque se sente cansada, mas ainda vai à Casa das Lavadeiras ajudar a filha Aidil, ensaboando e colocando as roupas para quarar no sol. De acordo com Adriano Luna, administrador do Parque Metropolitano do Abaeté, o espaço foi construído em 1993, para tirar as mulheres da beira da lagoa, "o que, além de ser uma condição insalubre para elas, também acarretava problemas ambientais como o excesso de sabão e detergente nas águas. Por causa da falta de conhecimento, muitas jogavam as embalagens vazias na lagoa", explica.


Profissão antiga


Assim como muitas contemporâneas, dona Agnalda começou a lavar de ganho ainda menina, ajudando a mãe e a avó. Antes delas, várias outras gerações de mulheres se sucederam na lagoa. As que moravam do outro lado de Salvador enchiam seus baldes e bacias de zinco nas fontes do Queimado, dos Barris, na Contorno. Lavavam e estendiam em casa mesmo ou então nos terrenos baldios. Jorrando água em abundância pelas suas montanhas, a cidade conheceu as lavadeiras desde os tempos iniciais de sua história. Eram elas as negras escravas, as alforriadas, que tinham de buscar um meio de sobrevivência e as portuguesas pobres, herdeiras do degredo.

Apesar de não ser ambientado na Salvador do final do século XIX, mas no Rio de Janeiro do mesmo período, o romance realista/naturalista O cortiço, de Aloísio Azevedo, dá uma idéia da dura vida das lavadeiras e de como, conversando, contando casos e fofocas e cantarolando na borda das tinas, elas conseguiam suportar o peso do trabalho diário. "Formava-se um novo renque de lavadeiras, que acudiam de fora, carregadas de trouxas e iam ruidosamente tomando lugar ao lado umas das outras na rotina de esfregar, bater e torcer", escreve Azevedo. Daquele tempo para cá, pouca coisa mudou na vida das lavadeiras. Continuam trabalhando muito, ganhando pouco e lutando para adquirir direitos trabalhistas. Segundo Angélica Souza dos Santos, 42 anos, membro da coordenação da Associação das Lavadeiras da Região Metropolitana de Salvador (Alarmes), o que dificulta a aquisição de direitos inerentes à maioria dos trabalhadores, como carteira assinada, FGTS, INSS, férias e 13º salário, é que o governo federal não reconhece lavadeira como profissão. "O governo alega que o Brasil é o único lugar onde existe lavadeira e que nós somos diaristas, prestadoras de serviço, qualquer outra coisa menos profissionais", revolta-se.


De mãe para filha


O número exato de mulheres que ganham a vida no tanque em Salvador é difícil de precisar. Na Casa das Lavadeiras, existem pelo menos cem delas cadastradas, mas em toda cidade lavadeiras velhas estão sempre cedendo lugar às novas. O ofício começa cedo e passa de geração para geração. Em média, aos 60 anos, muitas mulheres já não agüentam mais a lida e transferem para as filhas a responsabilidade de ganhar o sustento da família na tina de roupa. O desemprego leva outras tantas a lavar de ganho. Esse é o caso de dona Mara dos Anjos Santos, 50 anos, há 20 lavando roupa para fora e que, atualmente, recebe a ajuda de uma das filhas. Dona Mara, que já lavou na lagoa, ocupa todas as manhãs uma das lavanderias do parque do Abaeté. Ela já trabalhou em lanchonetes, clubes sociais e foi dona de barraca de praia. "O comércio estava muito fraco e depois dos 30 é difícil conseguir emprego. Quando comecei a lavar para fora pegava até seis trouxas, agora está cada vez mais difícil arrumar serviço. Hoje em dia, muita gente tem máquina de lavar", queixa-se. Para evitar que a filha tenha esse mesmo destino, outra lavadeira, dona Maria Clenalva Lima, lava de ganho desde os 14 anos. Aos 44, mãe de uma moça de 27, ela orgulha-se da jovem nunca ter precisado ir com ela para o tanque. "Lutei muito para ela estudar. Ela está se preparando para o vestibular de direito. Eu substituí minha mãe no tanque, mas tenho fé de que minha filha vai ter uma vida menos sofrida", espera dona Clenalva.





Comportamento / Mãos calejadas
Doenças como artrite, artrose e reumatismo atingem a maioria das lavadeiras



Na lavanderia do Parque Metropolitano do Abaeté, muitas até escondem que lavam roupa para sobreviver

Dona Guilhermina Ramos dos Santos, 80, exibe, nos dedos retorcidos pela artrose, as mais de cinco décadas em que ganhou a vida como lavadeira. Afastada da profissão pela idade, desde que completou 70 anos ela recebe da Previdência Social um salário mínimo por mês. Dinheiro insuficiente para comprar todos os remédios que precisa tomar para a hipertensão, o coração e a asma, além da artrose que atingiu as mãos, sem tato e sem firmeza, e os joelhos. O que alivia um pouco a situação de d. Guilhermina é a consciência de um antigo patrão, para quem ela trabalhou durante 17 anos. "Quando eu parei de lavar, ele continuou me pagando todo mês o valor da trouxa. Faz isso até hoje. À época em que eu ainda lavava para ele, me pagava 13º e dava férias, o que as lavadeiras não têm até hoje", compara. A ajuda é de R$40, o que parece pouco, mas representa muito se for levado em consideração que existem patrões que ignoram o nome da mulher que lava suas roupas. A própria dona Guilhermina passou 20 anos lavando para uma família e, quando a dona da casa morreu, o marido suspendeu o serviço sem dar satisfação ou indenizá-la.

No exercício ingrato da profissão não reconhecida, as lavadeiras adquirem ainda problemas que vão dos unheiros até alergias a detergentes que deixam a pele em carne viva, bursite, problemas de coluna - e outras doenças osteoarticulares (Dorts) - além de inflamações no abdômen, provocadas pelo contato com a água fria. No rosto de mulheres que mal alcançaram a casa dos 40 anos, o ofício deixa ainda as marcas do envelhecimento precoce. Enquanto na Casa das Lavadeiras do Abaeté muitas mulheres dizem que estão lavando as roupas da própria família porque sentem vergonha de se assumirem como lavadeiras, há 18 anos a Alarmes tenta conquistar os direitos da categoria. Dona Guilhermina, mesmo afastada do tanque, é presença assídua em todas as reuniões do grupo, que acontecem sempre na primeira quarta-feira do mês. "Tenho de vir dar meu apoio porque quando a associação nasceu, vivíamos uma situação que era bem pior que a de hoje", pontua. Uma das primeiras conquistas da Alarmes foi a tabela que delimita a quantidade de peças de roupas. Em vigor há pelo menos 15 anos, a tabela, que no início foi rejeitada pelas patroas, surgiu para pôr fim a uma relação de trabalho semi-escrava. Antes dela, as próprias clientes estabeleciam o preço que pagariam pela trouxa e a quantidade de peças que seriam "mandadas para a fonte". Nesse tempo, o rol (lista com as quantidades e descrições das peças) não tinha tamanho.

Passeatas

Para aprovar a tabela, elas fizeram muitas passeatas, munidas de baldes, caixas de sabão e bacias. Algumas dessas manifestações foram até reprimidas pela polícia, mas elas não desistiram. Até hoje, nos plantões dados às sextas-feiras na sede da associação, localizada na Ladeira de Santana, Ed. Montalvão, sala 103, as encarregadas do atendimento ao público distribuem a tabelinha, atualizada anualmente, e procuram convencer novas lavadeiras a entrar para o grupo. "Temos de conquistar muita coisa ainda. A aposentadoria para nós, por exemplo, não existe. As lavadeiras param de trabalhar entre 60 e 65 anos por causa do cansaço e das doenças, mas só podem começar a receber o salário mínimo quando completam 70. Isso não é considerado uma aposentadoria, mas vamos lutar para conquistar esse direito", enfatiza Angélica Souza. Segundo ela, a Alarmes também faz campanha junto às patroas para que elas ajudem as lavadeiras a pagar o INSS de autônomas.

No meio de tantos dissabores, a vida de lavadeira também tem seu lado pitoresco. Dona Jojo (Joselina Fonseca dos Santos), 50, lembra de uma história inusitada que aconteceu com uma lavadeira da velha-guarda do Abaeté. "Muitas lavadeiras tinham de dar duas ou três viagens em casa para deixar roupa enxuta e trazer outras para lavar. Tinha uma que enterrava a roupa na areia, para ela não ser roubada. Numa das idas em casa, deu uma chuva daquelas fora de hora e a água desmarcou o lugar onde a roupa estava enterrada. Ela deve estar embaixo da areia até hoje", brinca dona Jojo, que recorda ainda os banhos na lagoa. Uma tradição que nem a construção da Casa das Lavadeiras conseguiu quebrar é a das lavadeiras estenderem a roupa para quarar e enxugar na grama e nas areias de Abaeté. "Sugerimos colocar varais, mas elas se prenderam à tradição, daí resolvemos não interferir", diz Adriano Luna. A cena de lençóis floridos estendidos no meio do Parque Metropolitano do Abaeté chama atenção até dos turistas. As lavadeiras nos tanques, cantando ou conversando, também são atração. "Fazem fotos da gente, filmam e até gravam videoclipe", conta dona Clenalva.


Nome de gente


O que mais irrita as lavadeiras é a falta de respeito. Além de serem recebidas e despachadas pela porta dos fundos, ainda têm de agüentar o descaso das patroas, que não se dão ao trabalho nem de perguntar o nome delas. "Já senti me doer na alma muitas vezes quando chego numa casa, toco a campainha e lá de dentro ouço uma voz gritar ''quem é'', e a pessoa que está na cozinha olhando pelo olho mágico, vira e grita de volta, antes de abrir a porta: ''é a lavadeira''. E por acaso eu fui batizada como lavadeira?", questiona dona Maria Alves dos Santos. Outro desrespeito que chega às raias do abuso, na opinião dela, é quando as patroas mandam para a fonte roupas íntimas no meio de lençóis e toalhas de mesa. "Uma vez quase morro de vergonha quando fui arrumar a trouxa na casa de uma ex-patroa e ela colocou no meio da roupa da casa aqueles panos que as mulheres usavam antigamente, na época em que não existia absorvente", revela dona Maria. Despachar lavadeira por telefone também é uma tática muito usada. Fazendo o contraponto desse relacionamento muitas vezes conturbado entre patroas e lavadeiras, o primeiro grupo, o das clientes, reclama que as lavadeiras são descuidadas, mancham ou perdem peças de roupa e atrasam a entrega.

Em 1998, Martinho da Vila gravou um CD, O canto das lavadeiras, cujo carro-chefe era a música Madalena do Jucú, onde o cantor falava de sua paixão por uma das mulheres que ganham a vida esfregando roupa. O Terra Samba gravou um pagode chamado Lavadeira. Foi o videoclipe dessa música que teve como cenário as lavanderias da lagoa, imortalizadas por Dorival Caymmi. As lavadeiras figuram na abertura de um dos sucessos do compositor, A lenda do Abaeté. Sambas-de-roda também cantaram e cantam lavadeiras. As próprias associadas da Alarmes têm um vasto repertório de sambas e modinhas compostas por dona Rosa Maria dos Santos, 49. Na associação, elas têm até hino, cuja letra foi colocada sobre a música do Hino ao Senhor do Bonfim. Afinal, enquanto a conquista do direito à cidadania não chega, se apegar com o dono da Colina Sagrada é a única forma de alívio encontrada pelas lavadeiras de Salvador.





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